Praticamente todas as épocas têm os seus "terroristas", e é apresentado aos cidadãos um inimigo, uma ameaça, uma estratégia de defesa.
A Guerra ao Terror foi uma constante no século XX. O inimigo foi a Alemanha imperial, os bárbaros nas colónias, os nazis, os comunistas, o Perigo Vermelho, o Perigo Amarelo.
Num mundo dominado pelos impérios, todos os que se opõem ao status quo são apelidados de terroristas.
De facto, os impérios precisam de inimigos. De outro modo, como poderiam justificar a presença militar nas suas colónias para reprimir qualquer tentativa de libertação das populações locais?
Um Inimigo dá muito geito, principalmente se o Inimigo fôr identificado como um grupo internacional e, naturalmente, o "eixo do mal".
A guerra de ideologias torna-se uma perfeita cobertura para a demonização do inimigo. A "Guerra ao Terror" torna-se no confronto de duas ideologias opostas e mutuamente exclusivas.
Foi a guerra ao Terror Bárbaro que levou o imperador de Constantinopla a encomendar aos nobres Godos a reconquista de itália para o Império Romano, tarefa por eles levada a cabo brilhantemente. Roma e toda a Itália foram reconquistados pelos Godos para o Império Romano.
E foi a Guerra ao Terror que levou o Imperador de Constantinopla, anos mais tarde, a promover uma Cruzada para libertar a itália do domínio dos bárbaros Godos.
Foi a Guerra ao Terror Infiel ou Herético a grande responsável pelas maiores barbaridades cometidas por toda a Idade Média. A demonização, então, estava no seu modo mais puro. O inimigo era o próprio Satanás.
A fórmula funcionou, foi mostrando a sua validade outra e outra vez.
E sempre, sempre, a Guerra ao Terror não foi mais que uma maneira daqueles no poder aumentarem o seu domínio quer contra uma ameaça externa existente ou não (realmente acredita que nos anos 60 existia uma 5ª coluna de comunistas programados por hipnose para num determinado dia destruírem os Estados Unidos?) quer contra uma ameaça interna.
No entanto, a Guerra Fria praticamente autorizou os Estados Unidos a fazerem o que queriam em matéria de "defesa estratégica", desde violações continuadas do espaço aéreo de nações soberanas até à invasão pura e simples de países "suspeitos".
Então, quem são os terroristas? Os inimigos dos estados, e contra os quais os estados realizam as mais diversas perseguições, ou os próprios estados?