Existem vários tipos de embustes. Alguns inofensivos, outros realizados com boas intenções, outros para encobrir crimes reais, e outros cuja intenção é cometer um crime e acusar outros de serem os autores. Esta última categoria é chamada de "false flag operation" (operação de bandeira falsa).
Os embustes cobrem diversas finalidades. A nível de governo ou grupos de poder, têm sido usados para ocultar crimes de corrupção, apresentar bodes espiatórios para crimes cometidos, mascarar negócios altamente rendosos mas prejudiciais para a saúde pública ou o bem comum, e realizar operações para desacreditar grupos rivais.
A nível estratégico-militar, as operações "false flag" são prática corrente. À medida que o tempo passa e documentos secretos vão surgindo no domínio público, estas operações vão-se tornando públicas, mas surgem tarde demais para influenciar os acontecimentos que desencadearam. Já cumpriram o seu papel, no entanto.
A Segunda Guerra Mundial começou com uma operação "false flag": um grupo de SS com uniformes polacos "atacou" um posto fronteiriço alemão. Um prisioneiro vestido com uniforme polaco foi morto no local para fornecer a "evidência". A Polónia foi invadida no dia seguinte.
Temos muitos exemplos na história recente de embustes que tiveram grande importância na história estrategico-militar. Alguns exemplos:
Pearl Harbor - Documentos tornados públicos 50 anos depois comprovam que o presidente Roosevelt e o seu governo tinham conhecimento prévio do ataque a Pearl Harbor.
Não só deixaram que o ataque acontecesse, como tudo fizeram para impedir que os japoneses fossem descobertos, desviando todas a rotas marítimas para que a esquadra japonesa passasse sem ser detectada.
O pentágono obrigou a esquadra americana a ficar no porto, mesmo após o comandante da esquadra ter emitido ordens para a esquadra se fazer ao mar, de acordo com os dados do seu próprio serviço de informações, que considerava que se devia passar para o estado de alerta máximo.
Objectivo do incidente: fazer a opinião pública america, apoiante da política de não-intervenção, apoiar a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial.
O Incidente no Golfo de Tonkin - Barcos americanos que se encontravam am águas internacionais ao largo do Golfo de Tonkin no Vietnam teriam sido atacados por vedetas torpedeiras norte-vietnamitas, não tendo sido nenhum barco americano atingido no entanto. Houve troca de tiros e as vedetas retiraram rapidamente.
Este acontecimento simplesmente não aconteceu. Ninguém atacou os barcos americanos, os pilotos em patrulha que sobrevoavam a região nessa altura nada viram. Foi uma invenção pura dos meios de comunicação.
Objectivos do incidente: criar suficiente apoio na opinião pública americana para justificar a entrada dos Estados Unidos na guerra do Vietnam.
O USS Liberty - Durante a Guerra dos 6 Dias no médio oriente, um navio de espionagem electrónica americano encontra-se fundeado ao largo da costa israelita . Subitamente, é atacado por aviões israelitas sem qualquer identificação. Vagas e vagas de aviões atacam e metralham o barco. O capitão pede auxílio aéreo à esquadra americana. Quando a esquadra se prepara para enviar aviões para proteger o navio, recebe ordens peremptórias do presidente Johnson para não enviar qualquer auxílio.
Entretanto, continuam as vagas de aviões e aproximam-se vedetas torpedeiras para afundar o navio. Subitamente, aparece no horizonte um barco espião russo. Os aviões desaparecem, as vedetas torpedeiras dão meia volta.
Ironicamente, foi um barco soviético que salvou os americanos do USS Liberty de uma morte certa, ao tornar-se uma testemunha do incidente.
Uma operação "false flag" que não deu certo!
Objectivo do incidente: afundar o USS Liberty, não deixar sobreviventes e culpar o egipto do ataque, justificando uma intervenção americana da Guerra dos 6 Dias.
De facto, é difícil olharmos para qualquer incidente importante da história recente sem vislumbrarmos um embuste de qualquer tipo.
Vislumbramos também uma característica comum de todos os embustes: propaganda pré-evento e propaganda pós-evento. E, naturalmente, ao evento segue-se uma acção que foi a razão real por detrás da criação desse mesmo evento.
Como se fazem?
Para um embuste ser bem realizado, certas condições têm de ser asseguradas:
Um inimigo: É importante que, quando o embuste surja, já exista um inimigo para apresentar ao público
Uma história: tem de ser apresentada uma história que seja facilmente assimilável e simples, de maneira a que o menos informado dos cidadãos a possa compreender.
Plausibilidade: quanto mais de cima vier a história, mais credível ela será. Num mundo controlado pelos media, a voz das autoridades em conjunto com as cadeias de televisão é a voz mais credível, em circunstâncias normais.
Os operacionais: são os agentes que levam o embuste a cabo, capazes de realizarem operações em segredo e providos dos meios necessários.
Os "patzies": ou "labregos", como queiram. São os que serão acusados de serem os operacionais da operação. O caso ideal é o em que o "patzie" realiza (ou faz parte) da operação, não sabendo que está apenas a ir ao encontro dos promotores do embuste.
Capacidade para se aproveitar das consequências do embuste: naturalmente, será inútil promover um embuste se não fôr capaz de tirar proveito dele.
Uma organização directora: aquela que está interessada em realizar o embuste e que lucrará com a sua realização.
Encobrimento: é necessário destruir as provas de maneira a que se fôr impossível impedir uma organização imparcial de investigar, essa organização já não possa ter acesso a nenhuma prova incriminadora.
Manobras de despiste: interessa, quando se realiza uma operação para-militar, prejudicar o trabalho das forças de segurança que são exteriores ao embuste. Prejudicar o trabalho da polícia, por exemplo, ou da defesa civil.
Trocando por miúdos: no caso do incêndio do Reichtag, a organização directora foi o partido nazi, os operacionais os S.A., o "patzie" o bêbado apanhado no local e acusado de ser o autor (e posteriormente executado), a história a de que os sociais-democratas e comunistas teriam tentado um golpe de estado, sendo o incêndio do Reichtag o primeiro passo, a plausibilidade da história foi garantida por vir de membros do próprio governo alemão,e finalmente a propaganda, os discursos anteriores ao evento de Hitler "avisando para o perigo dos sociais-democratas e comunistas que queriam derrubar a república". Naturalmente, o Reichstag foi totalmente destruído, destruindo qualquer prova que pudesse indicar o meio utilizado para a sua destruição.
O aproveitamento do embuste foi rápido. Graças a ele, Hitler conseguiu para si direitos ditatoriais e ilegalizou todos os partidos da oposição, acusados que quererem derrubar a república, assumindo o poder e derrubando a república alemã. Em nome da defesa da república, Hitler destruiu-a.
É interessante fazer um paralelismo entre este facto histórico e o que se passa hoje nos Estados Unidos. Os "terroristas" atacam a américa porque "odeiam a liberdade". Bush acabou de destruir a liberdade nos Estados Unidos, criando actos institucionais que efectivamente dão poderes dictatoriais ao governo.
Talvez a pista mais eloquente que pode surgir de um embuste é o conjunto de acções destinadas a impedir uma investigação pormenorizada do que se passou. Ninguém tem interesse em bloquear uma investigação a menos que a versão vinda a público seja uma mentira.
É evidente que poucos têm condições para realizar embustes em larga escala.
É evidente também que são os governos que têm mais meios para os poder levar a cabo. Um grupo de indivíduos, altamente colocados na hierarquia militar e governamental, podem fazer embustes, porque têm meios para os fazer e para os encobrir. As grandes corporações também têm meios de realizar embustes, principalmente se conseguirem corromper elementos chave do governo.
Não é de estranhar, portanto, que os maiores promotores de embustes sejam os governos.